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Pesquisa

A ciência por trás da caminhada japonesa

A caminhada japonesa ficou famosa por causa da ciência, não do marketing. Veja o que os principais estudos realmente mediram e descobriram, explicado de forma simples, com link para cada artigo.

Atualizado em

O estudo original (2007)

O estudo mais conhecido foi feito pela Universidade Shinshu e publicado na Mayo Clinic Proceedings (Nemoto et al., 2007).

Em comparação com o ponto de partida, o grupo da caminhada intervalada melhorou:

MedidaMudança no grupo intervalado
Força de extensão do joelho (parte da frente da coxa)+13%
Força de flexão do joelho (parte de trás da coxa)+17%
Capacidade aeróbica máxima, caminhando+9%
Capacidade aeróbica máxima, pedalando+8%

Todos esses ganhos foram significativamente maiores do que no grupo da caminhada contínua, e a queda da pressão arterial sistólica em repouso também foi maior com os intervalos. Os autores concluíram que a caminhada intervalada “pode proteger contra o aumento da pressão arterial e a perda de força das coxas e de capacidade aeróbica máxima associados à idade”.

Vale saber: nem todos os participantes atingiram as metas de treino, e os números acima são médias do grupo. Os 17% se referem à força das pernas, não à pressão arterial, um detalhe que costuma ser citado errado na internet.

Um acompanhamento maior (2011)

Um estudo posterior do mesmo grupo (Morikawa et al., 2011, British Journal of Sports Medicine) acompanhou 826 pessoas de cerca de 65 anos fazendo a mesma rotina por 4 meses e analisou as 666 que completaram todos os testes.

O condicionamento e a força das coxas aumentaram, e o peso, o IMC, a gordura corporal, a pressão arterial e a glicose diminuíram em todos os grupos. Quem começou menos condicionado foi quem mais melhorou, o que é animador se você está começando.

Caminhada intervalada e diabetes tipo 2 (2013)

Um pequeno estudo randomizado na Dinamarca (Karstoft et al., 2013, Diabetes Care) comparou a caminhada intervalada de 3 minutos com a caminhada contínua de mesmo gasto energético em 32 pessoas com diabetes tipo 2, por 4 meses (cinco sessões de 60 minutos por semana).

É um estudo pequeno, mas reforça a ideia de que como você caminha importa, não só o quanto. Se você tem diabetes, converse com sua equipe de saúde antes de mudar sua rotina de exercícios.

Por que os intervalos funcionariam melhor?

Caminhar de forma constante e confortável é ótimo para a saúde, mas pode não exigir o suficiente do coração e dos músculos das pernas para continuar melhorando o condicionamento. Os intervalos rápidos exigem mais por períodos curtos, e os lentos deixam você se recuperar para repetir o esforço várias vezes. Ao longo dos meses, esse desafio extra parece se traduzir em mais força e condicionamento do que o mesmo tempo de caminhada constante.

O que a pesquisa não mostra

Referências

  1. Nemoto K, Gen-no H, Masuki S, Okazaki K, Nose H. Effects of high-intensity interval walking training on physical fitness and blood pressure in middle-aged and older people. Mayo Clin Proc. 2007;82(7):803-811. PubMed · doi:10.4065/82.7.803
  2. Morikawa M, Okazaki K, Masuki S, et al. Physical fitness and indices of lifestyle-related diseases before and after interval walking training in middle-aged and older males and females. Br J Sports Med. 2011;45(3):216-224. PubMed · doi:10.1136/bjsm.2009.064816
  3. Karstoft K, Winding K, Knudsen SH, et al. The effects of free-living interval-walking training on glycemic control, body composition, and physical fitness in type 2 diabetic patients: a randomized, controlled trial. Diabetes Care. 2013;36(2):228-236. PubMed · doi:10.2337/dc12-0658
  4. Lee IM, Shiroma EJ, Kamada M, et al. Association of step volume and intensity with all-cause mortality in older women. JAMA Intern Med. 2019;179(8):1105-1112. PubMed · doi:10.1001/jamainternmed.2019.0899
  5. Paluch AE, Bajpai S, Bassett DR, et al. Daily steps and all-cause mortality: a meta-analysis of 15 international cohorts. Lancet Public Health. 2022;7(3):e219-e228. PubMed · doi:10.1016/S2468-2667(21)00302-9

Esta página resume pesquisas publicadas para informação geral. Não é orientação médica.

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